Americanah é um alívio da ficção contra o racismo
Novo livro da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie explora a questão racial na África, Estados Unidos e Europa
“Ela vai voltar uma tremenda americanah”, diz, em tom de brincadeira, uma colega de Ifemelu, protagonista do novo romance da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, Americanah (Companhia das Letras, 520 pp., R$ 54 – Trad. Julia Romeu). A frase nem é direcionada a Ifemelu – que apenas anos depois iria tomar seu rumo para a América, saindo de uma Nigéria politicamente instável e economicamente pouco estimulante. Mas poderia ser: o termo se refere aos nigerianos que viajam aos EUA para estudar e acabam “com estranhas afetações”. A obra que chega agora ao Brasil, venceu o National Book Critics Circle Award e foi eleita uma das 10 melhores de 2013 pelo The New York Times Book Review. Americanah é um longo e intenso relato dividido em dois focos narrativos, o casal Ifemelu e Obinze, com grande destaque para ela, percorrendo a infância e a adolescência na Nigéria e 15 anos de EUA– tempo dividido entre empregos e amores conturbados e muita discriminação racial.
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