Livro lançado pela neta de Mindlin reúne dedicatórias guardadas
Nos pequenos textos recebidos pelo colecionador, há verdadeiras poesias disfarçadas
Das pequenas delícias de se fuçar a biblioteca alheia, uma é descobrir livros curiosos perdidos nas prateleiras. Outra é encontrar objetos insuspeitos fazendo as vezes de marcador. Mas a melhor, sem dúvida, é ler as dedicatórias das páginas de rosto, um exercício tão indelicado quanto irresistível. Quando a biblioteca em questão é a Mindlin, o prazer tem outra mesura. Amigo de alguns dos escritores mais importantes do nosso cânone, José Mindlin ganhava livros quase todos os dias, num tempo em que se escrevia expressões como “afetuoso abraço” ou “espero que este livro o encontre bem”. E nem é preciso ir à Universidade de São Paulo (USP), onde está o acervo, para o escrutínio. Lançado no ano passado, o livro Para a tão falada Biblioteca José e Guita Mindlin, da Editora da USP, reúne 124 das melhores dedicatórias da “tão falada” coleção. Organizada pela neta do casal, a designer gráfica e fotógrafa Lúcia Mindlin Loeb, a edição compila pormenores deliciosos da vasta lista de amizades do casal.
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