No centenário de José Mindlin, as histórias de quem lia em voz alta para o bibliófilo
Com problema na visão no fim da vida, colecionador contava com a ajuda de leitores; cinco deles relembram experiência
Um dia, as lupas espalhadas pela casa dos Mindlin não funcionaram mais. Por um problema progressivo na visão, José foi apartado de seu grande prazer: a leitura. Na casa dos 90 anos, o maior bibliófilo do país precisou de olhos emprestados. Parentes e amigos sentavam-se a seu lado e liam em voz alta os autores prediletos dele, ou os jornais do dia, enquanto o homem ouvia em silêncio. Ele não ficou cego, mas teve lesões na área da retina responsável pela visão central. Perdeu a capacidade de ler. Em seus últimos anos, os olhos de Mindlin lhe pregaram uma peça. O que não deixa de ser uma ironia. Triste. Apaixonado pela leitura, claro que ele não leu tudo, mas leu muito — cerca de 1.500 páginas por mês, cem livros por ano, durante muitos anos, até o problema de saúde brecar a paixão.
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