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Autor usa técnicas de Borges em ficção

25 de maio de 2014
2 min de leitura

Rodrigo Fresán constrói um romance nerd e se assemelha ao conterrâneo no uso de citações

A forma de Rodrigo Fresán é transgênera: passeia entre ficção e ensaio. Assim, vaga entre fábula e sua crítica, usando lentes às vezes intimistas, às vezes professorais. Nessa técnica, ele ecoa seu conterrâneo Borges. Fresán reflete o autor de O Aleph até naquilo que tinha de mais irritante: o ar pernóstico e arrogante no pendor livresco e no afã “aspomaníaco”. Para começar, Fresán não usa uma, mas sete epígrafes a abrir seu romance. E, para terminar, no posfácio, ele elenca estes e outros nomes para explicar onde arranjou os tijolos para estruturar o seu livro “com” ficção científica, e não “de” ficção científica. Para quem curte quebra-cabeças como este livro, revelar segredos pode ser meio sem graça. Franzidas de nariz à parte, O fundo do céu (Cosac Naify, 347 pp., R$ 39,90 – Trad. Antônio Xerxenesky) é uma beleza. Aparentemente trata-se de um livro que louva a literatura; no entanto, ao eleger a ficção científica como o alvo deste amor, Fresán declara fé irredutível na literatura de fantasia, de invenção. Uma linhagem literária sumida em tempos de enfadonha autoficção e atroz realismo.

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