O nome da editora
Em artigo publicado pela Folha, Ruy Castro faz uma emocionante retrospectiva histórica sobre os modismos nos nomes de editoras
De todas as profissões que conheço, nenhuma mais delicada que a do editor de livros. O trabalho é ingrato. A única parte divertida do negócio deve ser a escolha do nome da editora. Do século 19 até há pouco, as editoras tinham o nome de seus proprietários: Garnier, Francisco Alves, José Olympio, Martins, Vecchi, Ozon, Martins Fontes, Zahar, Rocco, Cosac Naify. Desde 1940, começaram a surgir os nomes mais genéricos, mas fortes, positivos, progressistas: Civilização Brasileira, Melhoramentos, Agir. Depois vieram Lidador, Record, Perspectiva, Nova Fronteira, Artenova, Objetiva, Contexto, Sextante, Autêntica, Intrínseca e tantas mais. E, a partir dos anos 60, as que se referem ao próprio ofício: Editora do Autor, Companhia das Letras, Sete Letras, Claro Enigma, Gutenberg, Graphya, Gryphus, Casa da Palavra, Iluminuras, Best-Seller, Belas Letras. Mas eis que surge uma nova tendência: a dos nomes poéticos e evocativos -Aprazível, Capivara, Cobogó, Folha Seca, Maquinária, Boitempo, Benvirá, Suma, Lazúli, Panda, Pandora, Barcarolla, Tapioca, Veneta, Amarilys, Ouro Sobre Azul, Peixe Grande, Três Estrelas, Biblioteca Azul, Edições de Janeiro e Céu Azul de Copacabana. Eu prefiro todos.
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