Caderno para a filha rende romance a João Anzanello Carrascoza
Caderno de um ausente conduz o leitor em cadência reflexiva com prosa poética
Após uma gravidez de risco, vem à luz a menina Beatriz Carrascoza, filha de Juliana e João, ambos professores. O pai narrador decide escrever um caderno à recém-nascida para preencher a própria ausência futura. Nessa chave, a obra caderno se dirige sempre a um tu, Bia. Além disso, sugere uma fatalidade: a filha não compartilharia a vida com o pai. João descreve detalhes de sua vinda ao mundo, a genealogia da família e se apresenta a si mesmo. Acima de tudo, endereça a obra caderno ao futuro desta personagem, como maneira de suprir a ausência paterna. Depois de uma premiada carreira como contista, este é o argumento central do segundo romance de João Anzanello Carrascoza, Caderno de um ausente (Cosac Naify, 128 pp., R$34,90), que a Cosac Naify acaba de lançar. Como se tornou uma marca de seu estilo, Carrascoza conduz o leitor em uma cadência reflexiva. A linguagem é a da prosa poética, tendendo sempre ao lirismo.
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