Euclydes da Cunha sabia de traição, escreveu sua mulher em manuscrito
Escritos foram descobertos há pouco e entregues à neta de Anna de Assis
A menina de 14 anos estava animada com a perspectiva de ganhar casa nova, vestidos e presentes que viriam com o casamento com um jovem jornalista dez anos mais velho. O desespero com o “ímpeto carnal” do marido na noite de núpcias, o choro, o pedido para ser levada de volta para a casa dos pais são descritos num manuscrito, cuja existência era desconhecida, de Anna Emília Ribeiro de Assis, pivô de um dos casos mais rumorosos do início do século 20. Casou-se com Euclydes da Cunha (1866-1909), autor do épico Os Sertões; separou-se para viver com Dilermando de Assis. Euclydes confrontou o rival. Foi morto. Anna de Assis abre seu relato de 45 páginas afirmando “cumprir com um sagrado dever e dar desencargo à minha consciência e tranquilidade ao meu espírito, dizendo que de nós três: Euclydes, Dilermando e eu, três criminosos, o mais responsável sou eu”. Anna de Assis conta ainda que Euclydes soube de seu relacionamento com Dilermando. O documento foi entregue há uma semana a Anna Sharp, neta de Anna e Dilermando, por Luís Henrique de Oliveira, bisneto de Gregório Garcia Seabra Júnior, advogado de Dilermando.
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