Quanto vale um poeta
Com sucesso de Leminski, editores apostam em autores dos anos 80, como Waly Salomão, e buscam autores com pegada pop
Pela primeira vez é reunida a obra completa do poeta baiano Waly Salomão (1943-2003), ícone do tropicalismo, letrista de sucesso e figura marcante na cena cultural brasileira. O lançamento, de quase 500 páginas, traz mais lenha para uma rara ebulição na literatura nacional: a poesia está conquistando as redes sociais, sendo mais lida e ganhando espaço no mercado editorial brasileiro como nunca, desfazendo o estigma de arte feita para poucos e que não vende bem. Editoras do porte de Companhia das Letras, Cosac Naify, Record e LeYa vão publicar neste ano antologias de poetas já consagrados que ainda não tinham a sua produção reunida, como Adélia Prado, Murilo Mendes e Jorge de Lima. A guinada da poesia teve seu gatilho no ano passado, com a absolutamente imprevisível venda de 90 mil exemplares de Toda poesia (Companhia das Letras, 424, R$ 48), de Paulo Leminski (1944-1989).
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