Escritora defende projeto de facilitar obra de Machado de Assis
Autora quer o livro ‘na casa dos mais simples’
Mais de seis mil brasileiros já assinaram a petição online que pede que o Ministério da Cultura “impeça a alteração das palavras originais nas obras da língua portuguesa”. A motivação foi o anúncio do lançamento, em junho, de O alienista, de Machado de Assis, e de A pata da gazela, de José de Alencar, em “versões adaptadas”, ou simplificadas, pela escritora Patricia Engel Secco. Abalada com a repercussão, Patricia Secco falou sobre a polêmica: “fiquei tão ansiosa com o que está saindo que fui para a rua fazer entrevista. Falei com o gari, com o menino do lava-rápido, com o manobrista do restaurante. Ninguém sabe quem é Machado de Assis. É para eles que estou fazendo esse projeto. Quero o livro na casa dos mais simples”. Ela comentou que não sabia da existência do abaixo-assinado. “Estou horrorizada. É muito triste pensar que algumas pessoas acham que Machado de Assis, o mestre da literatura brasileira, não pode ser lido pelo sr. José, eletricista do bairro do Espinheiro, que, apesar de gostar de ler, não cursou mais que o primário, ou pelo Cristiano, faxineiro de uma farmácia de Boa Viagem, que não sabe nem mesmo o significado da palavra boticário”. Ao todo, 600 mil exemplares dos dois livros serão distribuídos País afora.
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