Autor passado a limpo
Projeto para ´facilitar´ textos de Machado de Assis e José de Alencar causa polêmica entre escritores
A escritora Patrícia Engel Secco tornou-se o pivô de uma polêmica que envolve a qualidade da leitura no Brasil. Ao anunciar que publicará, em junho, uma versão mais acessível de O alienista, de Machado de Assis, a escritora está sendo acusada de mutilar o texto do mais importante autor brasileiro e de, com isso, empobrecer o nível da leitura num país que ainda lê muito menos do que deveria. Patrícia afirma que seu objetivo é exatamente o de levar boa leitura a quem não lê. Garante, também, que toda a carpintaria literária de Machado foi preservada. Adaptações de clássicos não são novidade em parte alguma do mundo. Diversas obras de Machado, inclusive, já foram adaptadas para os quadrinhos. A diferença, observam alguns escritores, é que nesses casos há de fato uma mudança de linguagem para se adequar a um outro formato, mas sem prejuízo do texto original. Ana Maria Machado, que já adaptou para crianças, por exemplo, Sonhos de uma noite de verão, de Shakespeare, faz ressalvas. “Sou a favor da adaptação de clássicos universais para um primeiro contato da garotada, para que saibam da existência da obra e conheçam seu enredo em linhas gerais. Mas acho inconcebível passar a limpo um mestre da língua”, afirma.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
