Paisagens afetivas e geográficas no livro de estreia de Miguel del Castillo
Escritor provoca sensações de vertigem, solidão e espanto em dez contos e uma novela
A definição corrente do termo acidente geográfico corresponde às variações do relevo terrestre; ilhas, vulcões, penínsulas, entre outros, são cicatrizes sinalizando a passagem do tempo e as transformações sobre o corpo da Terra. Na língua portuguesa, ao serem denominados como “acidentes” trazem, também, a marca do acaso, do não planejado. Uma possível leitura de Restinga, de Miguel del Castillo, pode ser feita sob o signo do “acidente geográfico”. A presença da natureza, em especial, tudo que envolve a água (ou é envolvido), acrescida da marca do inesperado, é uma constante na trajetória dos personagens. Estamos distantes, no entanto, de um encontro harmônico entre sujeito e natureza, ou mesmo da busca de um espaço bruto, “pré-humano”. Os personagens, melancolicamente, já sabem que a nomeação, o olhar civilizatório, interferem na (perdida) ilusão romântica da descoberta de um “eu”.
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