As linhas que dividem a América Latina
Dificuldades impostas à circulação interna da literatura são uma questão mais geopolítica
Falamos o tempo todo dos baixos índices de leitura que caracterizam os países latino-americanos: 5,4 livros lidos por ano no Chile; 4 no Brasil; 2,9 no México; e 2,2 na Colômbia, mas, nessas terras, quem se arrisca a cruzar as portas de uma livraria se depara com uma variedade insultante de livros traduzidos do inglês, de best-sellers a ensaios críticos, de autores conhecidos a novos e questionáveis talentos que provavelmente só nas prateleiras mais subdesenvolvidas encontram um lugar. O mesmo que poderia estar sendo ocupado por clássicos latino-americanos esquecidos ou até agora desconhecidos e por escritores não só contemporâneos como conterrâneos, com os quais muito mais temos a compartilhar. O problema da circulação de autores e livros latino-americanos parece ser uma questão editorial, mas no fundo é geopolítica. Não é questão de talento, e sim de interesses mercantis.
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