Edição crítica de livro de Hitler opõe historiadores e governo da Baviera
Governo bávaro retira seu apoio à publicação de ‘Minha luta’ por grupo de historiadorres, alegando perigo de incitação popular. Enquanto isso, panfleto de Hitler é comercializado na internet – sem not
O Instituto de História Contemporânea (IfZ, na sigla em alemão) confirma: vai lançar uma edição histórico-crítica do livro Minha luta (Mein Kampf), de Adolf Hitler. A declaração veio em resposta ao anúncio do governo da Baviera (estado no sul da Alemanha) de que suspenderia o apoio financeiro ao projeto de pesquisa. Segundo as autoridades, o livro seria de “incitação popular” e uma edição crítica em nome do estado da Baviera, em cuja capital o IfZ está sediado, seria irreconciliável com os esforços em curso para proibir o partido de extrema direita NPD (Partido Nacional Democrático da Alemanha), de viés neonazista. A decisão estadual equivale a uma freada radical no projeto: há anos uma equipe de estudiosos de Munique se empenha para fechar uma das grandes lacunas da história contemporânea. Nos meios de pesquisa, a relevância do trabalho dessa equipe permanece inquestionada. Pois, embora na Alemanha se fale muito de Minha luta, pouco se sabe sobre esse livro, e faltam análises aprofundadas sobre a elaboração, estrutura e, acima de tudo, a influência do único documento de cunho autobiográfico do ditador. “O ‘mito do livro não lido’ foi principalmente uma criação de antigos aliados de Hitler, um mito que, depois de 1945, acomodou-se às estratégias de justificação nos primeiros anos do pós-Guerra, e lá teve efeito prolongado.” Assim opina o historiógrafo Othmar Plöckinger, num estudo, publicado há poucos anos pelo IfZ, sobre o histórico do livro. Uma das tarefas de uma edição histórico-crítica seria esclarecer também essa questão da recepção.
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