A brutalidade punk de um matadouro
Ana Paula Maia expõe os sintomas e cheiros de indivíduos rústicos
No romance De gados e homens (Record, 128 pp., R$ 30), quinto e talvez o melhor dentre os que escreveu, Ana Paula Maia realiza algumas proezas. A maior delas é, de certa forma, reduzir o mundo a um matadouro. Ali é que reencontramos Edgar Wilson, velho conhecido dos leitores de Maia, trabalhando como atordoador. Alguns acontecimentos insólitos, que felizmente não são redondamente explicados, conduzirão a narrativa para uma atmosfera de pesadelo. Pelo menos desde Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, a autora demonstra um interesse muito grande pelos trabalhos dos homens, ou, mais especificamente, pelas funções desempenhadas por indivíduos rústicos, sem rosto ou voz.
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