Minha vida dá uns livros
Tendência de autoficção coincide com fase de superexposição de escritores
Eu nunca estive tão em alta na literatura brasileira. Ou melhor, o “eu”, esse personagem que se apresenta ao leitor em primeira pessoa e tem um passado em comum com o escritor que o criou, nunca protagonizou tantos romances publicados no país. Ficções recentes, como Divórcio, de Ricardo Lísias, A maçã envenenada, de Michel Laub, e Antiterapias, de Jacques Fux, têm em comum essa aproximação entre autor e narrador. Mais tradicional em países como a França – onde surgiu, nos anos 1970, o termo “autoficção” -, a mistura de autobiografia e ficção tem seu momento mais forte na produção literária nacional, na avaliação de especialistas. “O Brasil finalmente descobriu a autoficção”, diz Luciana Hidalgo, uma das maiores estudiosas do gênero no país.
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