De Rilke para Sophia, de Alceu para Lia
O poeta entra em comunhão com a mãe por meio de cartas natalinas; a mesma sintonia é vista na correspondência do escritor brasileiro com a filha freira
Além dos célebres contos e poemas de Natal, que todos os anos surgem em novas coletâneas, há na literatura este nicho muito particular das cartas natalinas, no qual Rainer Maria Rilke ocupa um lugar especial. Suas cartas de Natal para a mãe cobrem nada menos que 26 anos, um período sem lacunas que raramente encontra paralelo no gênero epistolar a ponto de render um livro temático. Curiosamente, o que sintetiza as cartas do poeta e ao mesmo tempo as mantém vivas por um quarto de século tem relação com as cartas de Alceu Amoroso Lima para sua filha Lia. Essa presença por meio da palavra, nunca como presença física, numa época do ano em que era esperado que pais e filhos celebrassem juntos, acontece com uma intenção que não foge ao espírito da data.
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