Publicidade
Voltar CLIPPING

A boca silenciosa de deus

25 de setembro de 2013
1 min de leitura

O mais recente romance de Valter Hugo Mãe é uma verdadeira declaração de amor à Islândia

Há na beleza feroz da paisagem islandesa algo de desolação, de abandono, de inevitável solidão. E isso transmite-se sem fim a quem nela vive. Resta aprender a viver com isso, aprender a transformar a escuridão em paciente espera, as crateras fumegantes em entranhas de dragões antigos, as enormes montanhas de gelo em gigantes que olham por nós, os rios indomáveis em serpentes benignas, os prados queimados pelo gelo e pelo vento em charnecas floridas onde pastam ovelhas, e tratar os negros abismos como se fossem as bocas silenciosas de deuses. Há que saber que, naquela ilha, a água, a pedra, o vento e o fogo são habitados por forças vitais. E é mesmo assim que tudo isto surge no mais recente romance de Valter Hugo Mãe (n. 1971), A Desumanização (Porto Editora), cuja ação tem lugar na Islândia. O autor conseguiu passar para a escrita, com uma notável e singular sensibilidade poética, o avassalamento provocado por aquela paisagem geologicamente igual à dos “dias do começo do mundo”. 

Tags:
Compartilhar:

Leia Também

Gostou deste conteúdo?

Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email

Toda segunda e quinta
Publicidade