A leitura do outro
João Anzanello Carrascoza revisita o passado para se reencantar com o presente
O escritor paulista João Anzanello Carrascoza, de 51 anos, recorre com frequência ao pensamento de que tempo é eternidade em movimento, atribuído ao filósofo grego Platão. É como tenta esclarecer sua ligação a um tema caro à literatura que produz: o passado. O hábito de suas personagens revisitarem aquilo que já foi vivido, característica dos contos do penúltimo livro, Aquela água toda, de 2012, reincide no mais novo lançamento, Aos 7 e aos 40 (Cosac Naify). O romance de estreia de Carrascoza chega às prateleiras nesta semana. Em capítulos alternados, o protagonista, aos 7 anos, descobre sua identidade quando aprende a ler as sutilezas e o silêncio do cotidiano; depois, aos 40, é um homem esfacelado e sem personalidade. Dessa forma, como conta na entrevista, o escritor investiga a necessidade de reencantamento do ser humano contemporâneo com o mundo.
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