Na ficção, as estribeiras perdidas do amor
Em ‘Divórcio’, o escritor Ricardo Lísias narra o trauma da separação de Ricardo
Ricardo acorda um dia e se lembra de que tem uma conta a pagar. Ao abrir a gaveta da mulher, encontra o boleto no meio de um caderno. Bate os olhos numa frase e as pernas bambeiam. Reluta, respira, e lê tudo num só fôlego. Fazia apenas quatro meses que os dois tinham se casado. E no diário, na primeira viagem depois da festa, ela escreve: “Eu estou viajando em lua de mel, mas não estou apaixonada. O Ricardo é legal, inteligente e às vezes me diverte, apesar de andar muito. Mas apaixonada eu não estou. Eu não sei o que vai ser quando voltarmos ao Brasil. Eu gosto de ser casada com um escritor. É só esconder certas coisas e pronto. Eu sou uma mulher atraente, não tenho dificuldades para achar amantes, nunca tive”. Há muito mais, e ele resolve tirar uma cópia do diário e sair de casa. Protagonista de Divórcio (Alfaguara, 240 pps., R$ 39,90), o paulistano, autor de O Céu dos Suicidas e de O Livro dos Mandarins viveu, na pele, situação semelhante à descrita no novo livro. O livro chega agora às livrarias, dois anos depois de falatório sobre o caso. Não haverá um evento de lançamento, e por decisão do autor e da editora, ele só aceitou falar com a imprensa por e-mail. Clique na matéria para ler a entrevista.
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