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O homem que falava português

21 de julho de 2013
2 min de leitura

A obra do crítico, tradutor e professor Paulo Rónai vem sendo redescoberta desde que, em 2010, a agente Lucia Riff assumiu seu espólio

Paulo Rónai tinha 30 anos e já sabia latim, grego, italiano, francês e espanhol quando descobriu o português. À primeira audição (e única, por muito tempo, já que o português nunca esteve exatamente em voga em Budapeste), a língua lhe pareceu “alegre e doce como um idioma de passarinhos”. Entre tantos vernáculos neolatinos, virou o xodó. No ano seguinte, 1938, o jovem intelectual publicou suas primeiras traduções de poetas brasileiros para o húngaro. […] A vinda ao Brasil representara uma espécie de casamento forçado com o idioma que o encantara – em 1940, na Segunda Guerra, o autor, judeu, chegou a passar seis meses num campo de trabalhos forçados em Budapeste. Mas o enlace não poderia ter resultado mais harmônico. Se Rónai (pronuncia-se “rônói”) deixou Budapeste com um passaporte “não válido para retorno”, encontrou aqui, aos 33, um país de braços abertos. Seu visto foi expedido em 1940, após o embaixador do Brasil lhe enviar carta garantindo condições para estudar no Rio.

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