Günter Kunert e a certeza da catástrofe
Um dos mais versáteis autores alemães, Kunert integra uma geração que presenciou várias descidas ao inferno de sua nação
O berlinense Günter Kunert é um dos últimos membros de uma geração de autores que foi testenhuma da sequência de destruições que engoliu a Alemanha a partir do fim da República de Weimar. […] Seus últimos livros expõem a perda de todas as ilusões. Seus poemas não parecem mais sequer ser avisos de uma catástrofe ainda maior e iminente, mas relatórios dos estágios no caminho irreversível a essa catástrofe última. Como foi formulado por Dieter E. Zimmer, o trabalho de Kunert assemelha-se à “História de uma escuridão gradual”. Não se trata, é claro, de exclusividade alemã. No Brasil, a geração correspondente à de Kunert passou pelas convulsões da segunda presidência e suicídio de Getúlio Vargas, pela presidência-relâmpago de Jânio Quadros e viu o país mergulhar na ditadura militar, com a perseguição de autores como Ferreira Gullar, Carlos Heitor Cony e tantos outros.
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