Livro de Colm Tóibín devolve humanidade à mãe de Jesus
Obra de Tóibin gera polêmica na Broadway
Apresentar a Virgem Maria não como a mãe de Deus, mas uma mulher vulnerável, certamente é um passaporte para o purgatório num país como a Irlanda. Mas foi isso o que fez o escritor irlandês Colm Tóibín em O Testamento de Maria (Companhia da Letras, 88 pp., R$ 29, Trad: Jorio Dauster), lançado agora no Brasil, justamente quando a peça ainda faz barulho na Broadway. A adaptação para o teatro, feita pelo próprio autor e estrelada por Fiona Shaw (dos filmes de Harry Potter), provocou protestos de católicos na rua 48, em Nova York, na noite de estreia, em abril, no Walter Kerr Theater. A polêmica só não foi maior porque Tóibín, em sua pequena novela, que rendeu um monólogo de 90 minutos, usa uma linguagem elegante, respeitosa, quase arcaica, para contar a história de Maria vivendo no exílio, em Éfeso, 20 anos depois da crucificação de Cristo. Detalhe: ela não acredita que seu filho Jesus seja o Messias.
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