Em duas obras, Alice Munro busca compreender a família e a si mesma
Com Fugitiva e A Visita de Castle Rock, a canadense apresenta uma vista ao passado e ao universo de mulher
Dois novos livros da contista canadense Alice Munro chegaram às livrarias brasileiras. Fugitiva (Globo/Biblioteca Azul, 352 pp, R$ 44,90) é um relançamento de uma irrepreensível coletânea de contos. A vista de Castle Rock (Globo/Biblioteca Azul, 352 pp, R$ 44,90) é um conjunto de histórias surgidas de pesquisa feita sobre um ramo da família e, em sua segunda parte, inspiradas em acontecimentos de sua própria vida. Ali, tanto no mergulho na história familiar quanto na reimaginação de sua vivência, Munro externa quanto “o passado está cheio de contradições e complicações, talvez iguais às do presente, embora habitualmente não pensemos assim”. É claro que esses e outros temas retornam nos contos de Fugitiva. Família, memória, sexo, amor, escolhas, desencontros, morte. No conto que dá título ao livro, por exemplo, uma mulher ensaia fugir do marido, envolvendo uma compreensiva vizinha; ao final, temos uma epifania e a sua negação. Fugitiva e A vista de Castle Rock são, portanto, ao mesmo tempo distintos e próximos. São distintos em seus pontos de partida, a base factual de um deles assumida logo de cara para, depois, ser mais bem subvertida. E eles se aproximam por expressar um mesmo esforço compreensivo, por parte da autora, de si mesma e do mundo que a cerca.
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