Os caminhos do ensaio
Disputa pela definição do gênero é inerente a sua natureza transdisciplinar
Michel de Montaigne tinha 38 anos quando decidiu se isolar do mundo para escrever. Em 1571, instalou-se em uma torre na propriedade de sua família, no interior da França, e passou os anos seguintes registrando impressões, memórias, dúvidas e anedotas sobre os temas mais variados: a mentira, o medo, a amizade, a fama, a obra de pensadores clássicos, a política, as alegrias e tristezas do dia a dia. Mas não se preocupou em classificar o gênero dos textos — em um deles, escreveu que refletir sobre si mesmo é “como tentar agarrar água”. Ao publicá-los, em 1580, chamou- os apenas de essais (“tentativas”), apresentando ao mundo uma nova forma literária e uma pergunta que continua a ser feita até hoje: como definir o ensaio? A pergunta ecoou nesta edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que recebeu ensaístas como o italiano Roberto Calasso, o britânico T.J. Clark e o brasileiro Francisco Bosco, além de ficcionistas também reconhecidos por seus textos de não ficção, como o irlandês John Banville e o bósnio Aleksandar Hemon.
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