A verdade nos falsos romances históricos
Escreve-se modernamente uma obra desse gênero para subverter visões hegemônicas, não para mimetizar documentos
Mesmo visto como coisa do passado ou como mero produto de mercado (preso ao mecanismo autorreferente do best-seller), o romance histórico vive um momento de exuberância, prova de que a arte mantém uma saudável independência em relação aos postulados críticos. Cresce o número de grandes obras nesse gênero, conquistando público num período em que tanto se fala do fim da literatura. A vitalidade desse segmento romanesco está na sua natureza transliterária. Ao mesmo tempo em que permite uma fruição artística, ele leva à reflexão sobre um tema ou uma passagem histórica. Ou seja, entretém esteticamente informando o leitor de maneira crítica. Essa sua natureza dupla, que lhe dá densidade de leitura, também cria algumas resistências de recepção.
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