Flip adota visão jeca ao ignorar língua hispânica
‘Na cultura brasileira, ainda prevalece a visão jeca de que o que é bom é imitação do que é feito nos EUA e na Europa’
A badalada festa, que reúne, além de escritores, editores, intelectuais, pseudointelectuais, jornalistas e afins, abrirá suas portas neste ano sem ter em sua programação nem ao menos um representante de um idioma falado por 500 milhões de pessoas no mundo todo. A festa, que em anos anteriores recebeu nomes como o argentino Cesar Aira, o colombiano Fernando Vallejo, o espanhol Vila-Matas, o chileno Alejandro Zambra, neste ficará sem ouvir o idioma de Macondo e Santa María – cidades imaginárias criadas por Gabriel García Márquez e Juan Carlos Onetti. A organização certamente argumentará questões logísticas, sem admitir um desinteresse ou intencionalidade. O fato é que ficam evidentes a falta de canais, conhecimento, interesse e um excesso de arrogância em relação à qualidade que pode ter a produção de países vizinhos.
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