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O poeta e a cidade

21 de junho de 2013
1 min de leitura

Está ainda por aparecer um livro de poemas sobre São Paulo que a sintetize em tal profundidade e essencialidade como fez Mário de Andrade

Mário de Andrade amava a cidade de São Paulo. Não era um gostar corriqueiro de quem se dava bem com o lugar onde vivia, era uma relação de afeto e identidade, com todas as contradições que envolvem esses sentimentos. Assim ele existia e era nela, gozava-a na intimidade e nos diferentes espaços e arredores por onde perambulava: Luz, Bom Retiro, centro velho, centro novo, Cambuci, Taboão; e em cada um realizava uma parte de seu ser: trabalho, passeio, convivência, reclusão, namoro, pesquisa. De modo que não foi por acaso que escreveu sobre ela, em 1921, o seu primeiro livro modernista, Pauliceia Desvairada. […] Está ainda por aparecer um livro de poemas sobre a cidade que a sintetize em tal profundidade e essencialidade. Talvez, com mais apuro e cuidado formal, o “Lira Paulistana”, que é também do próprio Mário, por isso não vale. E o que perguntamos, como fazemos com toda obra de arte e literária, o que a faz durar?

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