Os dons da poesia
Em fevereiro de 1984, em Buenos Aires, Campos, na companhia de sua mulher e de um de seus filhos, era recebido no modesto apartamento do grande argentino
O leitor talvez não se tenha dado conta que, até a morte de Jorge Luis Borges, em 1986, foi contemporâneo do maior escritor que a América Latina já produziu. Nada há de estranho: afinal o pão nosso de cada dia antes se tornam as ações da bolsa que a poesia. Chega a ser mais provável que, em função da inconsequência midiática e de pequenas invejas letradas de que não nos livramos, o mesmo leitor permaneça sem saber que é contemporâneo do maior poeta brasileiro vivo, Augusto de Campos. Até por isso, é mais singular e extraordinária a oportunidade que se lhe oferece de ultrapassar os dois desconhecimentos: a publicação do Quase Borges (Terracota Editora, 100 págs., R$ 39,00). Como declara seu subtítulo, o pequeno livro consta de 20 transpoemas e uma entrevista. (Acrescentem-se as fotos do encontro.)
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