O estranho mundo de Edward Gorey
Mestre do ‘nonsense’, do humor macabro e do desconforto, o ilustrador e escritor americano, uma das principais influências do diretor Tim Burton, tem seu primeiro livro publicado no Brasil
“Fui uma criança à qual parecia divertido simular um ataque epilético dentro de um ônibus”. Essa declaração feita por Edward Gorey a respeito de sua infância nos dá a chave para compreender grande parte de sua obra. Para alguns, ela é difícil, indecifrável, chegando, em alguns momentos, a causar profundo incômodo. Em algumas de suas conhecidas histórias trágicas, utiliza-se de personagens crianças para acentuar nosso desconforto de leitor. “Elas têm a marca da vulnerabilidade”, disse ele certa vez. Dono de um traço inconfundível e um humor não menos singular, o ilustrador, escritor, cenógrafo, figurinista e outras coisas mais é considerado o gênio do nonsense macabro e uma influência mais que direta de outro gênio, o diretor Tim Burton. […]Seus livros nos incomodam, mas nos cativam. Encantam, enquanto nos chocam. Abrem mistérios e perguntas, para não respondê-las. Quando há uma sequência lógica, ela caminha para o desastre ou o nonsense, como é o caso de A bicicleta epiplética, de 1969, onde duas crianças encontram uma bicicleta misteriosa que vai conduzi-las para um final absurdo. Com essa pequena pérola, a editora Cosac Naify tenta introduzir Gorey e seu universo tão peculiar no Brasil, onde até então ele permanecia inédito.
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