A biblioteca de Mindlin
Bibliófilo morreu em 2011
O Brasil quando dá certo é igual à bossa nova: foda. Foi o que pensei e senti na manhã ensolarada da sexta-feira passada, quando visitei o edifício que vai abrigar a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, no campus da USP. São 21.950 metros quadrados de boa arquitetura e design. […] Mais do que um edifício, é um complexo, que também vai hospedar o Instituto de Estudos Brasileiros e terá livraria, auditório, salas de leitura e espaços para exposições. A combinação da lendária biblioteca de José Mindlin e do acervo do IEB, com a documentação rica e numerosa deixada por Mário de Andrade, fará do lugar um centro de excelência para leituras e pesquisas sobre cultura brasileira. […] Ninguém desconhece o valor da biblioteca de Mindlin, que reúne 17 mil títulos em 40 mil volumes. Mais da metade é de livros raros ou especiais, como primeiras edições de Machado de Assis com dedicatórias do escritor – uma delas a seu amigo Joaquim Nabuco. Ou os volumes deixados a Mindlin por outro grande bibliófilo, Rubens Borba de Morais, amigo dos modernistas de São Paulo, de quem ganhou primeiras edições autografadas – pude ver, por exemplo, o Macunaíma a ele dedicado por Mário de Andrade, em agosto de 1928.
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