Testemunho de três gerações da família Jaffe
A escritora e crítica literária Noemi Jaffe fala sobre livro que reúne textos seus e de sua filha em torno do diário de guerra de sua mãe
Em abril de 1945, ao chegar à Suécia depois de ser libertada dos campos de concentração, a jovem judia Lili Stern despejou em um longo texto tudo aquilo que testemunhara desde abril do ano anterior, quando foi deportada pelos nazistas de sua cidade natal, Szenta, na atual Sérvia, com os pais e o irmão. Narrou a passagem pelos campos de Auschwitz e Bergen-Belsen, a libertação e a lenta readaptação à vida normal, mas em um registro diferente da maioria dos testemunhos. Não escreveu no passado, e sim no presente, como se anotasse os fatos enquanto aconteciam, em forma de diário. O efeito é desconcertante, como se lê em O que os cegos estão sonhando? (Editora 34, 240pp., R$ 42), organizado pela escritora e crítica literária Noemi Jaffe, uma das três filhas que Lili teve depois de se mudar para o Brasil com o marido (e assumir o sobrenome Jaffe). Além do diário, o livro traz textos escritos por Noemi e sua filha, Leda, depois de visitarem o Museu de Auschwitz-Birkenau, formando um painel de três gerações que procuram lidar com o trauma do Holocausto.
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