O valor da cópia
Fotolivros favorecem reprodução e circulação de obras, mas preços altos do mercado ainda são obstáculo
Pela própria dinâmica da produção de um livro — normalmente impresso aos lotes, a baixo custo unitário — a fotografia impressa tende a circular muito mais do que cópias originais numeradas, que funcionam na economia de mercado como pinturas, confinadas aos acervos do museu ou do colecionador de arte. Alguns dos trabalhos fotográficos mais influentes da história, como “The Americans”, de Robert Frank (1959, inédito no Brasil), e “Elogiemos os homens ilustres”, de Walker Evans e James Agee (1941, lançado pela Companhia das Letras), continuam sendo impressos e podem ser encontrados em bibliotecas e livrarias, como os clássicos da literatura. Já uma reprodução original de Frank ou Evans pode valer muitos milhares de dólares. “Pensar no fotolivro como peça central, e não faceta marginal da história da fotografia é considerar uma história diferente daquela ditada pelas exigências do museu ou da revista de circulação de massa”, diz o crítico inglês Gerry Badger em The photobook, a history (vol. I) (2004, inédito no Brasil). […] Porém, livros não estão imunes ao que Horacio Fernández chama de “colecionismo especulador”: também podem, por circunstâncias de mercado, virar objetos cultuados. É o caso de muitas obras que, fora de catálogo há anos, se valorizaram ao serem incluídas na exposição.
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