Por uma arte menor
A pequenez é muito produtiva na arte e na literatura. Sobretudo quando desperta em nós a empatia ou um sentimento jocoso
A pequenez é produtiva na arte e na literatura. Sobretudo quando desperta em nós a empatia ou um sentimento jocoso. O poeta e eminente pregador inglês John Donne foi um dos expoentes da chamada poesia metafísica do século XVII, assim definida de modo pejorativo por Samuel Johnson no século XVIII, reabilitada pela sensibilidade crítica de T.S. Eliot no século XX. Admiravelmente traduzido pelo poeta Augusto de Campos, um dos poemas mais célebres de Donne trata de uma pulga. O sangue sorvido dos dois amantes sela um estranho laço matrimonial. A pulga transforma-se no templo daquele amor. E essa é apenas uma faceta da grande zoologia na arte das letras. Impossível enumerar a microscopia animal dos bestiários medievais ou o pandemônio de minúsculos seres grotescos criados por Rabelais.
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