Hackers das ciências humanas
Os novos instrumentos destas descobertas proporcionam uma nova visão da cultura
Se um pesquisador de literatura fizesse uma lista dos principais romancistas de língua inglesa do século 19, certamente incluiria Mark Twain e Charles Dickens. Mas uma análise computacional preferiu Jane Austen, autora de Orgulho e Preconceito. Ela foi uma das que mais influenciaram outros autores – em estilo e temas – e é “o equivalente do Homo erectus em termos literários”, escreveu Matthew L. Jockers em sua pesquisa. Sua conclusão é baseada numa análise de 3.592 obras publicadas entre 1780 e 1900. Foi um trabalho de garimpo e tanto – realizado pelo computador. O estudo, que envolveu análises estatísticas de milhares de romances, percebeu, por exemplo, que as obras de Jane Austen mostram grande coerência em termos de estilo e temática, enquanto as de George Eliot são variadas e parecidas aos padrões dos escritores homens. A análise digital evidentemente não dá a última palavra. Ela é um sinal de que a tecnologia usada para catalogar grandes volumes de dados vai muito além do setor da internet e da pesquisa científica, e chega a campos aparentemente estranhos como as ciências humanas. (The New York Times)
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