Crônica da sátira inacabada
Crítico dos escritores de seu país, Bolaño fez uma obra polifônica que contraria acadêmicos
Os ventos do mercado editorial brasileiro prometem uma revoada de livros chilenos este mês de janeiro: As agruras do verdadeiro tira (Companhia das Letras,320 pp., R$ 44,50 – Trad. Luiz Eduardo Brandão) – mais um inédito do inesgotável Roberto Bolaño (1953-2003) – será lançado pela Companhia das Letras. Virá acompanhado pelo relançamento de dois livros de José Donoso (1924-1996), um dos participantes do que se convencionou chamar de boom literário latino-americano dos anos 1960. A coincidência chilena certamente causaria graça a Bolaño, autor para quem o ser chileno sempre importou menos que a condição de exilado. […] O realismo de Bolaño mostra-se – como convém – procedimento de escrita, e não reconstrução de uma realidade que o antecede. […] Na revoada chilena neste verão brasileiro, nenhum condor, nenhum Canto Geral, nenhum nacionalismo. Antes o desatino, o desarraigo e a sexualidade perturbadora. Felizmente para o leitor.
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