Visões da África: entrevista com Alberto da Costa e Silva
Um dos principais nomes dos estudos africanos no Brasil, o historiador reúne em novo livro textos da Antiguidade ao século XIX que demonstram a persistência de mitos e obsessões ocidentais sobre o con
Alberto da Costa e Silva foi à África pela primeira vez em outubro de 1960, como diplomata, enviado pelo governo brasileiro para acompanhar a independência da Nigéria, que deixava de ser colônia britânica depois de um século e meio. Nas décadas seguintes, voltou diversas vezes a um continente tomado pelas lutas anticoloniais. Participou de missões em Angola, Etiópia, Costa do Marfim, Camarões, Togo, Gabão, Guiné, Senegal, Libéria, entre outros países. Foi embaixador na Nigéria e no Benim. Nessas viagens, acumulou dados que mais tarde reuniu em obras importantes para os estudos africanos no país, como A enxada e a lança: a África antes dos portugueses (1992) e A manilha e o libambo: a África e a escravidão (2002), ambos publicados pela Nova Fronteira. E aprendeu uma lição sobre o olhar do estrangeiro. […] Em seu novo livro, Imagens da África (Penguin/Companhia das Letras, 504 pp., R$ 29,50), o historiador de 81 anos reuniu fragmentos de textos de viajantes estrangeiros que passaram pela região, da Antiguidade ao século XIX. São mais de 80 relatos de cientistas, exploradores, aventureiros, missionários e burocratas, que mostram a persistência do fascínio ocidental pela África, mas também de mitos e estereótipos sobre o continente cultivados ao longo dos séculos.
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