Estudo destaca como José Saramago diagnosticou o presente em sua obra
Eula Pinheiro lança José Saramago: Tudo Provavelmente São Ficções; Mas a Literatura É Vida
Depois da perda definitiva das colônias africanas, Portugal se vê obrigado a encarar o que restara do grande império erguido na época dos Descobrimentos, e cuja memória teimara em persistir até a queda do fascismo, em 1974. É nesse momento, sobretudo nos anos 80, que a carreira literária de José Saramago (1922- 2010) deslancha para valer. […] Saramago desenvolve a “tese” surrealista, portuguesa, que diz: a realidade histórica é só um “texto” que cada qual lê à sua maneira, sempre sob a perspectiva de outro texto (já sem aspas), que remete a outro texto, e outro, e outro… como temos, por exemplo, no pioneiro poema-livro de Mário CesarinyLouvor e Simplificação de Álvaro de Campos, de 1953.[…] E é essa a fase da sua carreira focalizada no livro de Eula Pinheiro José Saramago – Tudo, provavelmente, são ficções; mas a literatura é vida (Musa, 176 pp., R$ 49), título que já é um parágrafo, anunciador de que é preciso rever, para além ou aquém dos fatos históricos, as sucessivas interpretações (ficções) formuladas pelos escritores do passado, sobretudo Camões.
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