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‘Livro adulto’ de J.K. Rowling acerta ao se dedicar a tema social, mas erra em estilo

18 de dezembro de 2012
2 min de leitura

Raiva é traço comum entre todas as personagens

Em termos estilísticos, Morte Súbita (Nova Fronteira, 512 pp., R$ 49,90, trad.: Maria Helena Rouanet), primeiro “romance adulto” (seja lá o que isso queira dizer) de J.K. Rowling, autora de “Harry Potter”, é um livro sem interesse. Em particular, é ruim o emprego das comparações e metáforas, as quais quase sempre trazem referências juvenis banais. […] O narrador onisciente, que sabe tudo o que as personagens fazem, falam e pensam, é o mais quadrado possível. Os seus comentários colocados entre parênteses, assim como os diálogos das personagens pontuados com os sentimentos verdadeiros em itálico, são procedimentos tão primários como balões de pensamento em gibi. Isto dito, no âmbito do seu próprio gênero retrô de romance social -os romances de George Sand (1804-1876), por exemplo, foram bem lembrados pela crítica europeia-, é um bom livro, no sentido de que se dedica ao “estudo” de uma questão social importante. […] A raiva é o traço comum entre todas as personagens. Ela penetra as relações sociais, nas quais os mais ricos odeiam os mais pobres e são odiados por eles, mas também as geracionais, pois pais e filhos estão em constante guerra entre si, e ainda as relações locais, nas quais os moradores antigos e os mais recentes se detestam, e todos odeiam o mundo real.

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