Páginas sob o signo agudo da errância
‘Epifanias’e ‘Cartas a Nora’, que coroam o “ano de James Joyce” no País, acentuam o nomadismo, uma de suas marcas
Recém-publicados, Epifanias (Iluminuras, 112 pp., R$ 35- Trad.Piero Eyben)e Cartas a Nora (Iluminuras, 152 pp., R$ 38 – Organização e tradução: Sérgio Medeiros e Dirce Waltrick do Amarante)contribuem para o que se poderia chamar de “o ano de James Joyce no Brasil” – 2012 contemplou uma série de Novas traduções, edições bem cuidadas e lançamentos de obras infantis do autor irlandês (1882-1941). […] Em Joyce, a epifania é uma revelação interior provocada, em geral, por um acontecimento dos mais banais. Muitas vezes, sobretudo nos contos de Dublinenses, se tem a impressão de que o mundo estanca por um segundo ou dois e, nesse intervalo, permite se vislumbrar em toda a sua precariedade. E, até porque se esvai muito rapidamente e o mundo seguirá indiferente a essa iluminação passageira, tal instante tem o poder de ressignificar para o personagem, e somente para ele, tudo o que foi vivido até ali. A epifania é, portanto, uma contradição em termos, uma vez que traduz em palavras algo que, em princípio, seria intraduzível.
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