O homem que calculava
Com poucos títulos e apostas altas, Jorge Oakim fez da jovem editora Intrínseca uma das maiores do país
Na entrada da Intrínseca, no terceiro andar de um pequeno edifício da Gávea, no Rio, um painel agrega 24 capas tamanho família de títulos lançados desde a estreia da editora, nove anos atrás. Boa parcela, como Amanhecer, de Stephenie Meyer, e Um Dia, de David Nicholls, teve longa estadia nas listas de mais vendidos. Outros foram muito bem recebidos pela crítica, caso dos premiados Precisamos Falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver, e A Visita Cruel do Tempo, de Jennifer Egan. […] Esse conjunto incomum de obras comerciais e literárias sob uma mesma marca -e num enxuto catálogo de 213 títulos em nove anos- fez não só a Intrínseca virar uma das maiores editoras do país como chamou a atenção do mercado para Jorge Oakim. “Ele é o maior craque que apareceu em muitos, muitos anos”, diz Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras. A agente literária Luciana Villas-Boas resume o que “muitos, muitos anos” quer dizer: “Desde que Luiz fundou a Companhia, em 1986, não aparecia um editor com tanta visão”. “A verdade é que todo editor hoje queria ser ele”, ironiza Ivan Pinheiro de Machado, da L&PM. Com a filosofia de apostar em “poucos e bons” títulos, Oakim faz lances agressivos quando vê potencial de venda – conta com dois bons “scouts” (olheiros) internacionais para ajudá-lo nisso. Por Cinquenta Tons, ofereceu US$ 780 mil, enquanto um hit como O Caçador de Pipas era comprado pela Nova Fronteira por meros US$ 12 mil sete anos atrás.
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