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A marquesa de Santos

14 de dezembro de 2012
2 min de leitura

Com ‘Domitila’, Álvaro Alves de Faria inspira-se em cartas de d. Pedro I à amante para compor um poema-romance

Chegou a vez da literatura relembrar a figura da amante de Dom Pedro, com Domitila: Poema-Romance para a Marquesa de Santos (Nova Alexandria, 190 pp. R$ 48), do poeta Álvaro Alves de Faria, livro concebido segundo o viés da ficção literária, mas não subordinado ao prisma histórico. O autor começou por selecionar 47 das muitas cartas endereçadas por d. Pedro a Domitila e contrapôs, a cada uma delas, um poema. Oscilando entre o lirismo enternecido e a dramatização exaltada, os poemas contêm, na maioria dos casos, comentários poéticos à margem dos episódios referidos na imperial correspondência. E uma vez ou outra temos a voz da própria Domitila, a nos falar no mesmo tom, segundo a livre versão do poeta. As cartas íntimas do imperador aí estão, conservadas pela História, e o leitor tem agora a oportunidade de degustá-las, transcritas nesta bem cuidada edição, intercaladas aos poemas. Mas as cartas de Domitila a História se incumbiu de fazer que desaparecessem, com exceção da última, em que ela humildemente aceita – ou declara aceitar – o desfecho do caso e o seu “exílio” nas terras de Piratininga. É o fecho do volume.

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