As antenas da poesia concreta
Poeta foi pioneiro na difusão da semiótica no Brasil e fez da tradução um exercício de criação
Em mais de uma ocasião, Décio Pignatari, nascido em Jundiaí em 1927 e morto no domingo passado, disse que o artista brasileiro quase sempre decai depois dos 40 anos de idade. Certamente, a regra não caberia a Pignatari, que, aos 81, lançou o livro Bili com limão verde na mão (Cosac Naify), cuja compreensão carece de grande esforço, já que altíssimo repertório foi mobilizado para concebê-lo e realizá-lo, e levará anos até que seja fruído e amado mesmo pelos aficionados das façanhas pignatarianas. Era uma história infantil para adultos, dizia. Alguns de seus projetos, parece, ficaram por realizar. Uma prosa de fôlego, que envolveria Osasco, onde cresceu, uma narrativa longa da qual o conto Frasca e o romance Panteros seriam apenas ensaios. Peças de teatro e traduções de autores que lhe eram caros, mas que, em outros momentos, estiveram excluídos de seus afazeres pelo rigor do projeto concretista.
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