Van Gogh ganha biografia que refuta hipótese de suicídio do artista
Vencedores do Pulitzer com livro sobre Pollock, Steven Naifeh e Gregory Smith lançam no Brasil livro que defende que o artista foi assassinado
Em 27 de julho de 1890, Vincent Van Gogh havia saído da Estalagem Ravoux, em Auvers, ao norte de Paris, para pintar campos de trigo. No caminho, encontrou René e Gaston Secrétan. De família burguesa, a dupla pagava ao artista bebidas e mulheres. Embora possa soar amistosa, a relação com o pintor era turbulenta. René costumava se divertir trocando o açúcar por sal nos cafés que servia a Vincent. Certa vez, passou pimenta num dos pincéis que o artista, como que para pensar melhor, costumava levar à boca. E René tinha um revólver. Naquele dia, Van Gogh voltou à estalagem embriagado — e com um ferimento à bala. Morreu 30 horas depois. Pouco antes, policiais o interrogaram. “Você queria se suicidar?” O pintor soou indeciso: “Creio que sim.” Quando soube que suicídio era crime, disse apenas: “Não acusem ninguém.” O próprio algoz relatou a cena nos anos 1950 numa entrevista, mas ela não teve repercussão. E é também o relato de René que sustenta boa parte da tese de assassinato do pintor, e não suicídio, defendida por Steven Naifeh e Gregory White Smith em Van Gogh: a vida, que a Companhia das Letras lança nesta semana no Brasil.
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