Depoimento: Jurado C explica nota zero dada no Jabuti
Rodrigo Gurgel explica suas notas no Jabuti
A polêmica criada em torno de minhas notas no Prêmio Jabuti deste ano surge de um fato simples: as opiniões nascem de ânimos exaltados -e não da leitura fria e imparcial dos romances. Nihonjin, de Oscar Nakasato, que mereceu nota dez, é narrativa voltada à imigração japonesa no Brasil, sem a pretensão de recuperar o tema com minúcias históricas, mas preferindo transformar dramas individuais ou familiares em sínteses dos conflitos humanos. O narrador nos leva do que ele diz ser real ao que afirma ser sonho -e, no entanto, confiamos nele; passamos a ver seu sonho como verdade. Isso se deve à forma sutil com que articula e contextualiza diferentes pontos de vista, quebras de continuidade e distintos eixos de tempo. […] Tais faces da persuasão inexistem no romance Infâmia, de Ana Maria Machado, no qual cansativas referências -literárias, históricas e bíblicas- surgem não para dar sustentação à trama, mas para referendar teses que se espraiam pelo romance: há uma desprezível “marca brasileira de fazer política”; a mídia age de maneira irresponsável ao denunciar casos de corrupção; o desprezo pela verdade permeia tudo. […] Ao desprezar a narração de uma história e preferir comprovar suas teses, a autora produziu um romance proselitista. Livro que só poderia merecer nota zero.
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