Um apurado olhar de repórter
De 1940 até sua morte, em 1977, Clarice Lispector escreveu cerca de 5 mil trabalhos jornalísticos; a pesquisadora Aparecida Maria Nunes fala sobre essa obra, reunida agora em uma nova edição
Antes mesmo de ser reconhecida como grande escritora, Clarice Lispector colaborou ativamente na imprensa, atuando como jornalista, estudante de Direito, colunista feminina, ensaísta e até mãe. Era uma forma de complementar a renda mensal. Ao longo da carreira, Clarice escreveu cerca de 5 mil textos, entre fragmentos de ficção, crônicas e colunas femininas, para diversos jornais e revistas, além de realizar mais de 100 entrevistas, a primeira delas, em 1940, com o poeta Tasso da Silveira. Uma boa amostragem desse material está em Clarice na cabeceira – Jornalismo (240 pp., R$ 37,50), lançado agora pela Rocco. “Clarice tinha estilo próprio para seus textos para a imprensa. Mas procurava aprender e apreender a técnica de alguns gêneros jornalísticos”, comenta a jornalista e professora universitária Aparecida Maria Nunes, responsável pela coletânea, que traz também textos inéditos em livro. “Quanto à crônica, chegou a conversar sobre como escrever com vários escritores, inclusive com Rubem Braga. Nas páginas femininas, quando assinou sob pseudônimos, o texto clariciano se torna acessível e adquire o tom da receita e do conselho. A Clarice jornalista consegue falar e se fazer entender para o leitor heterogêneo, pouco acostumado a reflexões de ordem existencial.”
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