Grave crise existencial
Ainda que mal comparando, a situação de quem vive de direitos autorais é análoga à do peru.
Se o indivíduo se diz escritor, então escreva. Sem querer privilégios e sem fazer chiquê, com profissionalismo. Além disso, já circula a ideia de o Estado resolver esse problema com a eficácia de sempre e garantindo a sobrevivência do escritor. Para isso, alguns passos simples satisfariam. Primeiro, a regulamentação da profissão. Seria realizado um concurso e os aprovados passariam a portar carteira de escritor, com a qual teriam direito exclusivo de exercer a profissão. Depois seria criado o Conselho Editorial Nacional, ao qual os escritores apresentariam seus projetos, rápido e sem pistolões ou propinas, como é regra no Brasil. E o Conselho estabeleceria temas anuais do interesse do País, incentivando romances que tivessem como pano de fundo, por exemplo, a Saga do Pré-Sal ou o Mistério da Transposição de Águas do São Francisco. Aprovado cada projeto, seu autor passaria a receber um módico estipêndio mensal, pois não se pode ser pródigo com o dinheiro público, com a obrigação de periodicamente prestar contas do andamento do trabalho e obter a aprovação do Conselho, fazendo as alterações de forma e conteúdo que este determinar. Com isso, além de os escritores não terem mais do que reclamar, o interesse nacional estará servido. Todo mundo vai ter direitos sobre o que o autor escrever, menos ele próprio, até porque já morreu.
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