A escrita como companhia
Assis Brasil lança seu 19º romance
Assis Brasil é, antes de tudo, um homem metódico, e esse atributo foi decisivo na conciliação entre política e literatura. Foi preciso que fizesse escolhas. Que mantivesse a escrita, mesmo com o tempo curto, como prioridade. “Leio pouco hoje em dia. Prefiro dedicar o tempo disponível para escrever.” Não chega a se aborrecer com essa escolha: “Já li muito, e o que li me é suficiente”. Sempre foi um leitor abnegado dos clássicos, em particular de Gustave Flaubert, Eça de Queiroz e Machado de Assis. Hoje, quando lhe sobra tempo para ler, prefere, porém, alguns contemporâneos. Em particular, os franceses, como Pascal Quignard, de 64 anos, Michel Quint, de 63, e Philippe Claudel, de 50. Explica: “São escritores que aprecio muito pelo sentido de economia verbal”. […] Desde que publicou seu primeiro livro, Um Quarto de Légua em Quadro, romance histórico lançado em 1958, a escrita de Assis Brasil passou a se caracterizar por períodos longos e tortuosos. A grande ruptura aconteceu em 2001, quando surgiu O Pintor de Retratos, o 15º deles. “Com esse livro, alterei drasticamente meus períodos gramaticais, trabalhando, quase sempre, com sentenças declarativas e extremamente curtas.”
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta