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Não há censura no episódio do livro de Dalton Trevisan. Mas falta pedagogia

09 de setembro de 2012
2 min de leitura

Pais têm o direito de discutir o conteúdo pedagógico oferecido a seus filhos. E, nessas situações, o mais importante que as escolas têm a fazer é justificar suas escolhas e decisões

O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Coluni, é uma das boas escolas públicas de ensino médio do Brasil: na avaliação de 2010 do Enem, ficou em primeiro lugar na lista de instituições mantidas pelo governo. Não à toa, 1.500 adolescentes disputam suas 150 vagas a cada ano. Foi justamente nesse processo seletivo de alunos que o Coluni se envolveu em uma confusão desnecessária nesta semana. O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da UFV anunciou a retirada do livro Violetas e Pavões, de Dalton Trevisan, da lista de obras cuja leitura é exigida para a prova. O Cepe alegou que atendia a pedidos de pais e demais escolas, incomodados com referências a sexo, pedofilia, drogas e crimes presentes na obra. Os críticos logo acusaram censura. Não é o caso: o Coluni não quer impedir ninguém de ler Trevisan. Não há dúvida, contudo, de que faltou no episódio uma explicação pedagógica: se o livro fora escolhido a partir de um critério correto, por que foi descartado em seguida? Mais: é certo que isso aconteça mediante pressão dos pais?

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