De volta à poesia, Antonio Cicero vasculha perdas em ‘Porventura’
Escrevo em primeiro lugar para um leitor ideal, que aprecie poesia e conheça as referências literárias que faço, diz o autor à Folha.
“Toda fala –inclusive a fala (o desenrolar) do pensamento– parece-me deficiente. É através da escrita que adquiro posse real do meu próprio pensamento.” É assim que o poeta e filósofo Antonio Cicero, 66, explica –por escrito, evidentemente– a razão por que se tornou escritor, à luz do lançamento de seu novo livro, Porventura (Record, 80 pp., R$ 24,90), uma coletânea de 35 poemas produzidos a partir de 2002. O mesmo raciocínio é empregado para justificar sua preferência por uma entrevista por e-mail para falar desta que é apenas sua terceira coletânea poética –apesar de escrever poemas “desde antes da adolescência”, só em 1996 publicou o primeiro livro de versos, “Guardar”. “Acho que eu era excessivamente autocrítico”, diz o autor, justificando a estreia tardia em versão impressa. “E na época eu ainda não valorizava tanto a escrita quanto vim a fazer mais tarde.”
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