Um biógrafo sem heróis
Padre Cícero, Maysa e agora Getúlio tiveram a vida esmiuçada em livros por esse cearense rigoroso na pesquisa histórica
João Cavalcante de Lira Neto escapou por pouco de pagar com o próprio nome a obsessão de seu avô pelo tenentismo. O desejo era ter 18 filhos para colocar todos os nomes dos rebelados no Forte de Copacabana. Aí começaram a nascer meninas e o avô percebeu que a conta não iria fechar. Foi quando começou a misturar os nomes. Um tio chama-se João Alberto Siqueira Campos, outro, Juarez Prestes Cabanas. O pai, batizado Benedito Carpenter Uchoa recuperou o nome de família no cartório e evitou, assim, legar o tenentismo de certidão aos descendentes. Mas foi o baú das reminiscências familiares que se abriu quando Lira Neto teve a conversa mais decisiva para a carreira de escritor. Estava no escritório da Companhia das Letras quando o editor Luiz Schwarcz, logo depois de receber os originais de “Padre Cícero”, lhe perguntou qual seria seu próximo projeto: “Agora você vai querer um livro mais ameno, que se resolva de forma mais instantânea, para dar uma folga”.
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